O ser humano não existe de um instante para o outro. Não é um tipo de ser momentâneo. Sua existência se estende no tempo, do nascimento à morte. Heidegger nos lembra disso, mas e se o tempo já não nos pertencesse?
Vivemos uma época onde o tempo escorre, sem pausas, sem intervalos. A narrativa, que sempre foi nosso abrigo, se dissolve em fragmentos. Se antes contávamos histórias para nos sustentar no mundo, hoje o fluxo de informações nos atravessa sem deixar rastro. Querem cortar nossas cabeças, diria Bernard Noël. Querem nos arrancar o pensamento, a memória, a possibilidade de nos reconhecermos em uma história que não seja apenas um post que desaparece em minutos.
Se o sujeito freudiano era aquele que se sustentava na linguagem, no desejo, na falta—o que nos resta agora? O que ainda nos permite existir dentro desse tempo que não nos dá pouso?
Cláudia Freire.
claudiafreirelima@gmail.com
@dosustoaoclique
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